Alta gastronomia e hospitalidade em alto-mar

Alta gastronomia e hospitalidade em alto-mar

Escrito por Marcelo Fernandes

3 abr 2019

Já tive oportunidade de fazer alguns cruzeiros em minha vida, e posso dizer que eles têm uma forma única e muito especial de integrar, com maestria, a arte do receber e de alimentar.

Essas características, somadas aos destinos por onde passam, tornam esse tipo de viagem uma experiência marcante.

 

Alguns números desse setor dão ideia da força dos cruzeiros. De acordo com a Cruise Lines International Association (CLIA), só neste ano de 2019, 30 milhões de pessoas devem embarcar nessas viagens de lazer pelo mar. Segundo outra organização, a Cruise Market Watch, de 1990 a 2020, o número de passageiros de cruzeiro aumentou 6,63% ao ano. Para atender a esse público, surgem novas embarcações a todo momento, e a estimativa é que 37 novos navios de cruzeiro sejam construídos entre 2018 e 2020.

Em fevereiro, tive a oportunidade de fazer uma bela viagem pela Patagônia, a bordo do elegante Crystal Symphony, da Crystal Cruises. A embarcação tem capacidade para transportar cerca de 800 passageiros. Durante 15 dias, esse navio foi a casa flutuante de todos nós. Por isso, a hospitalidade é um item essencial nesse tipo de viagem.

Afinal, é ótimo poder estar a bordo, após passar o dia visitando um dos destinos do itinerário, e sentir-se bem acolhido, quase como se tudo aquilo fosse sua casa. Detalhes como a da camareira que rapidamente aprende a deixar sua cama e mesmo a nécessairesobre a bancada do banheiro do jeito que você gosta, impressionam.

O cuidado com a hospitalidade, em navios como esse, aparece também em seus restaurantes. Essa união entre ser bem recebido e comer bem são sempre um detalhe que me chama muito a atenção. Observo tudo, converso com outros passageiros e, na medida do possível, transporto o que aprendo em alto-mar para terra, para os restaurantes que administro. Sempre há algo novo para se aprender.

E o que é, afinal, comer bem em um navio de cruzeiro? Além da fartura, que faz a fama desse tipo de viagem, gosto de saber se há ingredientes frescos e de época sendo usados. Por exemplo, após passarmos pelo Chile, logo percebemos a valorização do salmão nos restaurantes do navio. Na Argentina, havia boas carnes sendo servidas. E assim por diante. E há ainda a boa oferta de vinhos e de drinques, além de chás e cafés muito bem tirados.

Nesse navio em questão, foi muito interessante ver como os restaurantes Umi Uma & Sushi Bar, do aclamado chef Nobu, e o restaurante italiano Prego contam com funcionários atenciosos, e como preparam o ambiente e os pratos para fazer com que o passageiro se sinta à vontade e bem tratado.

Em cada porto, sabores novos

A experiência gastronômica de um cruzeiro, é claro, não se atém ao que está a bordo. Antes de embarcar nesse tipo de viagem, vale pesquisar onde estão os mercados locais e que tipo de pratos são os mais representativos, tanto da região visitada como da época. Assim, em Montevidéu, fomos atrás das boas empanadas e cervejas, em um simpático mercado. Nas Ilhas Falkland, que são território britânico, saboreamos um clássicofish and chips.

Quem gosta de manter o físico em dia não precisa temer essa fartura gastronômica. Muitos navios, incluindo o Crystal Symphony, têm spa, academia, área externa para caminhada e práticas esportivas. Essa estrutura garante a prática de atividades físicas – nos dias em que apenas se navega em alto-mar, dá para aproveitar muito bem essa estrutura e perder algum peso extra que eventualmente tenha sido adquirido.

Esse é um dos encantos de um cruzeiro: descer em diferentes portos, passear, apreciar a comida e a bebida dos destinos, e depois voltar para “casa” para descansar, curtir e ser bem recebido e bem servido. Hospitalidade e gastronomia em alto-mar são uma experiência fantástica, feita para se criar e celebrar bons momentos.

por Marcelo Fernandes

 

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