LUXO – UMA PAIXÃO NACIONAL

LUXO – UMA PAIXÃO NACIONAL

Escrito por Katia Robles

1 ago 2018

O brasileiro é apaixonado por aparência, beleza, riqueza, prazer, gosta de se mostrar e de ser admirado (o que ficou potencializado com as redes sociais).

Digo isso de uma maneira geral, pois essa paixão independe de classe social.

O luxo, por sua vez, confere distinção, status, sensação de poder, de superioridade e de pertencimento.

Quando a pessoa compra um objeto de luxo, ela não compra apenas o objeto em si, mas principalmente, todo o significado que ele carrega.

Além disso, o brasileiro é um consumidor muito mais emocional do que racional. Ele compra porque merece, porque a vida é curta, porque está triste, porque está alegre, porque, caso contrário, “irá morrer”, enfim são inúmeras justificativas, que nada tem a ver com a utilidade do produto. Ou seja, ele é o consumidor ideal para o Mercado do Luxo.

Mas quem são os brasileiros que consomem luxo?

Essa resposta é bem mais complexa do que parece, pois requer uma explanação minuciosa de todos os tipos de luxo e suas subdivisões, de todos os tipos de consumidores e as suas segmentações, o que geraria um grande volume de informação e fugiria da proposta de um post.

De uma forma bem ampla, é possível dizer que, os produtos/serviços classificados como Superluxo são consumidos apenas pela classe alta, os classificados como Luxo Intermediário são consumidos pelas classes alta e média, e os classificados como Luxo Acessível são consumidos pelas classes alta, média e até pela baixa.

As classes média e baixa contam com um facilitador, o da cultura de parcelamento do pagamento instituída no país.

Existe também outro grupo que, apesar de não ser consumidor do Mercado do Luxo, manifesta a sua paixão através do consumo de itens falsificados. Porém, é interessante ressaltar que esse tipo de grupo não é uma exclusividade do Brasil. Aliás, adquirir itens falsificados também não é uma exclusividade das classes mais baixas.

Atualmente, apesar de possuirmos excelentes profissionais e empresas, genuinamente brasileiras e que se destacam neste mercado, na avaliação de grande parte dos brasileiros, o luxo está associado somente às grifes e empresas estrangeiras.

Podemos entender esse comportamento, relembrando a história do nosso país.

Curiosamente, na época do Brasil Colônia, a nossa principal matéria-prima, o pau-brasil, era comercializada pelos árabes, nas rotas mediterrâneas, como um item de luxo. Ela era utilizada no tingimento de tecidos finos e na fabricação de tintas para a escrita. Aqui no Brasil, ela não fazia sucesso.

A distinção social tinha como principal elemento a posse de vidas humanas (escravos) pelos senhores de engenho.

Havia um consumo de itens de luxo pela elite, mas como não havia permissão para serem produzidos no Brasil, eles tinham que ser adquiridos no exterior.

A partir do século XVII, as importações começaram a crescer, mas devido ao Pacto Colonial, onde Portugal detinha o monopólio no Brasil, estes itens chegavam bem mais caros nas mãos dos consumidores abastados.

Com a vinda da família real para o Brasil, este pacto foi revogado pelo rei Dom João em 1808, decretando a abertura dos portos, e assim, os itens de luxo ficaram mais acessíveis, já que eram comprados diretamente dos países de origem.

Já na República, houve grande interesse pelo fortalecimento das empresas nacionais, limitando assim as importações e elevando os preços dos produtos que eram importados, quando era possível sua importação. Somente na década de 1990, este quadro começou a ser revertido com a abertura da economia.

Ou seja, na nossa história, muito pouco se produziu no Brasil, sendo que sempre dependemos de outros países para adquirir objetos de luxo. Mas agora, finalmente, este panorama está mudando.

Muitas pessoas podem achar que o luxo é fútil, uma bobagem, uma perda de tempo, criando em torno dele uma aura de preconceito, e até culpando-o por muitos males da sociedade.

O que eu posso garantir é que o luxo é de extrema importância para a humanidade, e um grande incentivador para a sua evolução, como sua direta influência no hábito de compra das pessoas e ajudando a aquecer o mercado não apenas em épocas específicas (Páscoa; Natal; Dia das Mães/Pais).

Ao formar sua opinião e posicionamento sobre esse assunto, tente levar tudo que o cerca como uma oportunidade de negócio ou até estude como se encaixar nesse mundo da sua maneira sem cometer erros ou loucuras, afinal o Luxo existe em todos os lugares e tipos de mercado. Quem sabe partindo desse caminho o sucesso não te aguarda.

 

(por Katia Robles, especialista em Gestão de Negócios de Luxo)

 

Katia Robles é empresária especializada em Gestão do Mercado do Luxo e Premium. Formação em Administração de Empresas e Tecnologia da Informação. Pós-graduação em Computação Gráfica.  Especialização em Gestão do Mercado do Luxo. É palestrante, professora e pesquisadora.  Adora atividades físicas e cuidar da alimentação.

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