Os Millennials e o luxo

Os Millennials e o luxo

Escrito por Katia Robles

5 dez 2018

 “Um cliente é o mais importante visitante das nossas instalações. Ele não depende de nós, nós é que dependemos dele. Não é uma interrupção no nosso trabalho, é a finalidade deste. Não é um estranho no nosso negócio, faz parte dele. Ao servi-lo, não estamos a fazer-lhe um favor, é ele que nos faz um favor ao dar-nos uma oportunidade para o servirmos.”

(Mahatma Gandhi)

Se você trabalha, possui um negócio ou pretende abrir um, no segmento de luxo, a dica é ficar atento à geração Y, também conhecida como Millennials.

De acordo com as pesquisas, eles deverão se tornar o maior público consumidor de artigos e serviços de luxo até 2025.

Para que sua empresa tenha sucesso é imprescindível que ela esteja disposta a entender, se adaptar e finalmente, atender as demandas dessa nova geração.

Os Millennials podem ser divididos em dois subgrupos. Os old millennials: são pessoas que curtem viver momentos para relaxar, são nostálgicas, flexíveis e colaborativas. Os young millennials: já nasceram em um mundo conectado e com dispositivos móveis. São pessoas mais realistas, muito mais conscientes em relação à parte financeira e adeptos à filosofia YOLO (You Only Live Once – Você só vive uma vez). Não gostam de desperdiçar tempo.

Filhos da geração X e netos dos Baby Boomers, a geração millennials rompe de maneira significativa quanto ao comportamento e às formas de consumo.

Se as gerações passadas tinham como objetivo de sucesso obter um diploma, conseguir um bom emprego, comprar uma casa, constituir uma família, adquirir diversos bens, esta nova geração vai na contramão.

Os Millennials são avessos a comprometimento, a perda de sua liberdade e vivem em uma época onde compartilhar é a palavra de ordem. Extremamente conectados, absorvem exemplos de outras culturas e fazem uso dos aplicativos disponíveis no mercado.  Ao invés de ter um carro de luxo, que gera diversos custos e necessidades, eles preferem ter o sossego de um carro na porta com motorista, se beneficiando dos aplicativos de transporte ou até de carsharing (diversas marcas de automóveis do segmento de luxo já estão entrando nesse mercado). O mesmo acontece com iates, helicópteros, casas de veraneio, roupas, bolsas, espaços para trabalhar (atual coworking), entre outros.

Outro dia eu assisti a um programa onde o repórter perguntou a um londrino se ele possuía carro. Ele foi categórico ao dizer que não e em tom irônico ainda questionou o motivo de uma pergunta tão antiquada.

É realmente uma geração que pretende exterminar com o paradoxo entre a felicidade de ter um bem e a preocupação em conseguir dinheiro e todo um staff para mantê-lo.

Quanto às empresas, eles exigem transparência, engajamento quanto à responsabilidade social, sustentabilidade e inovação. Gostam de cuidar do corpo e da saúde, então quanto mais natural for a alimentação (sem grandes quantidades de sal e açúcar, sem conservantes) e os produtos (livres de materiais tóxicos) melhor.

Admiram a personalização tanto de bens quanto de serviços. Adeptos à filosofia “Você é o que você compra” eles usam o consumo como forma de expressão da sua personalidade e de sua individualidade.

Antes, as empresas do Mercado do Luxo ditavam as regras, ditavam o que os consumidores deveriam comprar e fazer. Hoje o panorama mudou. Quem dita as regras é o consumidor. Eles determinam o que as empresas devem fazer e como fazer. Simples assim! Caso contrário, como são muito mais empreendedores que as gerações passadas, eles montam uma empresa que ofereça aquilo que consideram objeto de desejo.

Sempre conectados, eles são fortemente influenciados pelas redes sociais, opiniões de outros clientes, de celebridades e influenciadores digitais que admiram.

Gostam de comprar pela internet, onde estão munidos por milhares de informações e costumam tomar a decisão de uma compra em apenas um terço do tempo do que a geração anterior.

São impacientes, imediatistas, o que obriga as empresas a estarem preparadas a realizar o atendimento de excelência em todos os canais de contato. Caso contrário, eles vão comprar em outra loja.

Para serem conquistados e fidelizados por uma determinada marca, além de terem os seus anseios atendidos, preferem que ofereçam uma experiência, como por exemplo, assistir a um desfile da nova coleção ou viajar para conhecer os vinhedos da marca.

As empresas estão investindo para se adaptar a essa nova realidade, em uma “corrida” onde o consumidor está sempre na frente e não para nunca.

Verificamos um movimento das grifes em oferecer produtos DIY (Do It Yourself), onde cada consumidor pode imprimir a sua personalidade, de forma única, no artigo de luxo. As grifes estão permitindo que o consumidor seja o próprio designer da sua bolsa, do seu tênis, da sua joia. As lendárias empresas de carros criaram departamentos de customização, onde é possível criar acessórios, cores de tinta, materiais, acabamentos, enfim, tudo o que o cliente desejar.

Uma das mais icônicas e desejadas joalherias do mundo, que inclusive foi imortalizada como maior objeto de desejo em um filme de 1961, rompeu com a tradição de anos e passou a oferecer itens com preços acessíveis à nova geração. Além de criar uma nova “Linha casa e acessórios”, onde é possível comprar desde uma caixa de primeiros socorros feita em prata, um soprador de bolhas de sabão em prata, até um canudo (para bebidas) folheado a ouro.

A intenção é começar a conquistar esse consumidor, que no momento não tem muitos recursos financeiros, mas que no futuro, os terá. E lá na frente, eles já estarão encantados com todo atendimento recebido, todas as experiências vividas e dispostos a investir o que tiverem.

Outro exemplo é o de um grande banco suíço que resolveu criar experiências e ministrar noções de economia a grupos formados por Millennials, que são filhos de milionários, imaginando que em algum momento futuro, eles herdarão uma fortuna. Quando isso acontecer, eles já terão um banco em mente, e com o qual já possuem afinidade. Bingo! Clientes fidelizados!

Se você acha que essas empresas estão adiantadas demais, é sinal de que você já está atrasado!

Mas, ainda dá tempo para você mudar o rumo dos negócios. E vale o investimento, já que esse comportamento tende a perdurar, visto que os Millennials acabam influenciando as demais gerações, tanto as posteriores quanto as anteriores. Afinal de contas, nem as empresas e nem as pessoas gostam de ficar desatualizadas, não é mesmo?

Abraços.

por Katia Robles, especialista em Gestão de Negócios de Luxo.

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